Então você quer ser Escritor?

09 agosto 2017

Então você quer ser escritor?
Não há palavra mágica ou receita, mas isso você já deve saber. Já deve saber também que nunca antes se escreveu tanto. No séc. XVIII e XIX quando muitas de nossos clássicos brasileiros foram escritos, por exemplo, grande parte da população era analfabeta e vários clássicos foram publicados por folhetim, ou seja, um capítulo de cada vez, geralmente lido em voz alta entre rodas e só era publicado como um livro caso o sucesso fosse alcançado. Hoje, as pessoas estão mais formalmente educadas. Uma melhorada distribuição de livros também ajudou a popularizar a literatura de ficção.
Também temos a tecnologia. Há muitas plataformas digitais para histórias, muitas destas com milhares de acessos. Parece haver muita facilidade, mas se ela existe de fato, por que tanta gente não consegue terminar um livro ou embarcar de verdade numa rotina de escrita?

Talvez o problema de ser escritor hoje é que há o desejo de ser autor, enquanto o cargo de escritor, muitas vezes, é apenas uma mera ferramenta para se alcançar o patamar de autor. Noutras palavras, a vontade de ser reconhecido e de ter grandes ideias é muitas vezes maior do que a vontade de escrever.
Ter grandes ideias não faz ninguém um escritor, pelo simples - e óbvio - motivo de que o que faz alguém um escritor é escrever. Ter grandes ideias é maravilhoso, o simples ato de sonhar com cenas, personagens, mundos é arrebatador, e colocá-las no papel é difícil. Muito difícil. Escrever é a parte difícil. É a parte que muitos travam, não só em começar, pois começar é fácil, a dificuldade é em terminar, é em prosseguir e chegar até a última página. Escrever não é só ter grandes ideias (aliás, parece que as ideias mais simples é que se tornam grandes romances), escrever é escrever.
A forma, a expressão, o jeito que você escreve faz uma verdadeira obra, e o ato de escrever é em si um ato de amor, de amor à palavra, de amor a você mesmo, de amor por sua criação; antes de visualizar um futuro promissor ou pessoas lendo e elogiando seu trabalho, antes de imaginar alguma fama ou a capa na vitrine de livrarias, pare e pense por um minuto: Por que estou fazendo isso?
Estou fazendo isso pelo dinheiro? Está tudo bem fazer coisas por dinheiro, o que é francamente uma loteria quando se trata de literatura no Brasil, mas está tudo bem. Estou fazendo isso pela fama? Adivinhe: Está tudo bem também, todos nós queremos isso, se isso significa mais leitores. Mas se esses não são seus únicos motivos, se são pequenos motivos atrás da verdadeira razão, qual é?
Estou fazendo isso por que amo escrever?
A linguagem realiza todos os mundos que criamos, dão vida a personagens que criamos, faz tudo ser possível e verdade. Para ser um escritor você precisa escrever, não só sonhando com o produto final, mas amar incondicionalmente o ato de escrever. Treinar, todos os dias, mesmo quando a inspiração não vem - aliás, na maioria das vezes ela não vem -, é preciso trabalhar, conhecer sua linguagem e conhecer sua história. É preciso ler e reescrever, sentir-se realizado a cada página. É ficar cansado, desistir e voltar atrás. É parar de somente ler dicas de como escrever um livro e escrever. Ser escritor é amar o ato de escrever e amar sua criação.
Ser escritor é escrever.
Então você ainda quer ser um escritor? Então escreva!



Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
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