One Punch Man | 1º Temporada

12 abril 2017

Episódios: 13
Gêneros: Comédia, Ação, Paródia
Estúdio: Madhouse
Originado do mangá homônimo, por: One (autor e criador) e Yusuke Murata (ilustrador)


Um super herói ultrapoderoso derrota todo mundo com um soco. Não há monstro ou vilão que o enfrente de igual para igual, e por conta disso, sua vida de heroísmo torna-se chata. Ele quer apenas alguém forte o suficiente para lutar e sair da monotonia. A premissa é a do mangá e anime One Punch Man, que apesar de sonolenta (um herói que derrota todo mundo com um soco? Tenho mais o que fazer!) acabou virando o melhor anime de 2015 e um dos melhores animes que eu assisti na vida. Engraçado que nem a sinopse ou a arte me chamaram a atenção, mas de repente, o mundo inteiro gritava o quanto o anime era fantástico, o quão fabuloso e espetacular, e claro, acabei assistindo.
Uma das melhores decisões que fiz e eu nem estou exagerando. Antes de tudo, você deve assistir One Punch Man, e não, eu não me importo que você pare de ler meu texto e vai assistir, só faça isso. One Punch Man vai te surpreender. E provavelmente, você vai querer assistir os 13 episódios numa tacada só.
Dito isso, vamos lá! 

Saitama é um super-herói por hobbie. Ele mora na Z-City e quando algum monstro, demônio, louco, vilão decide destruir alguma coisa, ele resolve o problema com um único soco, desde uma pobre criaturinha até um deus intergalático. Um soco. As batalhas se tornaram tão fáceis que Saitama não tem mais a alegria que costumava sentir no começo da carreira, há uns três anos. Seu sonho desde a infância sempre foi ser super-herói e ele treinou muito duro para isso. Porém, agora que ele conseguiu o que tanto desejava, ser o mais poderoso herói da Terra (e do universo, provavelmente), suas batalhas e sua vida passam a não ter tanto sentido.
É genial, preciso dizer, o quão bem essa perda de sentido é traduzida no anime, logo no primeiro episódio. Quando vemos a cena em que Saitama, jovem e com cabelo tipicamente animê, vence sua primeira batalha, vemos ele num close, com sorriso largo e cheio de energia, os olhos em chamas. Logo após, continuamos a vê-lo em close, porém no tempo presente, ele agora careca, sem sorriso e sem expressão. O herói que antes era tipicamente a representação do mais puro shounen virou um herói que não consegue mais sentir.
Mas não estamos falando de um anime depressivo ou dramático (por mais que algumas cenas me tenham feito tremer), estamos falando de uma comédia, uma aventura divertida na vida não tão divertida do herói mais forte da Terra. Um dia, quando ele acaba salvando um cyborgue (Saitama estava nu, diga-se de passagem) o tal ciborgue fica completamente embasbacado com a força do careca e pede para ser seu discípulo. Após muita encheção de saco (e de umas rondas sendo seu stalker), o ciborgue (Genos é o nome) é aceito por Saitama e eles passam a morar juntos.
A partir daí, somos apresentados para mais personagens  e heróis carismáticos, como o Ciclista sem Licença, e acompanhamos as desventuras de Saitama querendo cuidar da própria vida e das compras do mês e Genos querendo ser tão forte quanto seu Saitama Sensei. E enquanto eles tentam entrar e subir na Associação de Heróis do país, Saitama sonha em encontrar alguém que possa lutar com ele de igual para igual. Tudo com muito humor e sátira escarrada da jornada do herói.


Por falar em sátira, eu me lembro de quando comecei a assistir mais animes. Temporadas de Fairy Tail, Naruto, Bleach, além de tecnicamente também ter visto Dragon Ball quando muito pequena. O problema é que depois de um tempo, esse gênero não me fascinava mais. Para quem não sabe, todos eles são animes shounen. Ou seja, tecnicamente, são animes para meninos na faixa de 12-16 se não me engano, e por costume, o protagonista (herói) começa como um garoto que tem um sonho: ser o mais forte/poderoso. Nesses animes acabamos vendo toda a trajetória desse herói travando batalhas com vários oponentes poderosos, vemos ele perdendo lutas, vemos sua evolução e o assistimos ficando mais forte. Naruto, Goku, Ichigo, Natsu, tantos outros, nós assistimos eles vencerem obstáculos e se tornarem mais fortes. É a premissa básica de um shounen.
Saitama não é um personagem shounen, nem tampouco seu anime o é. Mas One Punch Man brinca não apenas com essa premissa de tantos animes ultra famosos, como zoa de seus clichês. Nós não vemos o treinamento tortuoso de Saitama, nem o assistimos se esforçando temporadas e mais temporadas pra ficar mais forte; ele já é o mais forte de todos. Ele já está na linha de chegada. E as batalhas? O anime brinca com as batalhas longas, que podem durar vários episódios em animes convencionais, e nos mostra batalhas que mesmo terminando num único soco, são fantásticas.
 Além do próprio Saitama não ser o herói shounen convencional. Sim, no passado (quando era novato e tinha cabelos) ele era esse herói típico, fogo nos olhos e vencendo desafios. Hoje em dia, a coisa mais importante pra ele é não perder liquidações e pagar o aluguel. E como não tem muita esperança de encontrar um vilão decente, ele passa o tempo derrotando o mal com um soco e tentando ganhar posição na Associação de Heróis (Saitama foi mal na prova quando entrou, haha), e claro, passando por uma crise existencial, traduzida em seus traços simples.
Engraçado, satírico, OPM brinca com os arquétipos de super-heróis, de personagens e clichês de shounen, seja personagens que buscam a força e invencibilidade como Saitama, seja o herói honroso que busca vingar sua família como Genos ou até o típico mestre que quer ensinar os protagonistas conhecimentos místicos como Bang.


Vale lembrar que o anime tem uma excelente qualidade técnica. Sabe quando você está vendo um anime e repente começa uma cena lenta e poética, e as imagens ficam mais nítidas, mais bem desenhadas? Esse tipo de tecnologia digital é usada em certas cenas ou momentos de grande carga poética ou emocional, e em One Punch Man essa técnica foi utilizada no anime inteiro. Ou seja, além de personagens carismáticos, uma premissa fora da curva de tantos animes e ótimas lutas, a arte por si só já é um motivo para assistir.
E claro, uma coisa muito interessante é como Saitama consegue ser um personagem que você se importa. Você quer que ele se continue se dando bem nas batalhas, mas também quer que ele volte a sentir alguma coisa no processo; a opinião pública o odeia e você quer que eles deem o devido valor ao pobre Saitama.
Agora vou falar um pouco daquilo que proporcionou os momentos mais espetaculares do anime: As lutas. E que lutas! A direção do anime realmente caprichou nas batalhas. Obviamente, há várias “lutas” fáceis e rápidas (tecnicamente até as mais longas são fáceis, coitado), elas são divertidas, mas há lutas com aquela sensação de épico e até dramático. O pós-luta contra o Rei do Mar Profundo segue com uma cena tão triste que nem parece ter saído de um anime de “paródia”. Há a cena épica de Saitama voando para salvar a cidade de um meteoro, ocorrência comum em tantas ficções, mas tratada tão bem animada e terminando de forma tão inesperada, que é um dos momentos favoritos dos fãs. Só de lembrar disso já quero assistir tudo de novo.
Algo que eu não tenha gostado?
Alguns podem não curtir a música do encerramento, pois parece uma música de ninar lenta. Eu, pessoalmente, gostei, mas difere bastante do tom do anime. E claro, o mangá é originalmente desenhado por One e publicado como Webcomic, mas como One tem mais talento em criar histórias do que desenhando, ele entrega o trabalho para outro cara, o  Yusuke Murata, que redesenha tudo (e melhora umas partes do roteiro). Aí, One publica o trabalho final como mangá. Nada disso é ruim, a não ser que tanto a publicação do mangá e, consequentemente, a segunda temporada, demoram por conta do processo. A vida é assim, pra as coisas ficarem bem feitas, leva tempo. E sim, a 2º temporada está chegando. Enquanto isso, vou continuar a ler o mangá, rever as lutas no youtube e reassistir o opening vezes seguidas. (E esse opening? tinha que ser da Madhouse!)





         


Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
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6 comentários:

  1. Tava aqui viajando nos blogs e dei de cara com o teu, meu namorado ta aqui do lado e viu a foto e disse que é MUUUITO legal hahahah, já tinha gostado da tua resenha, e ele meu deu um gás maior ainda pra ver!! Espero que eu goste o
    Beijão

    http://jubaqueen.blogspot.com.br/

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    1. Menina, vá assistir imediatamente! Acho que já me viciei logo no primeiro episódio, e depois de acabar tudo fui para o mangá, ele que até em japonês demora um pouco pra sair, olha a tristeza. E eu também adorei teu Blog!
      Beijoos!

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  2. Tinha deixado passar abatido esse anime, pensei "poxa mais shounen, mais do mesmo, whatever, vou deixar queto",
    Só que depois de ler essa resenha, fui assistir e puff, terminei tudo em um só dia, agora to indo pro mangá e viciado nesse opening,
    Haahaha valeu por compartilhar conosco, um abraço.

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    1. One Punch Man é viciante mesmo! Agora é só você recomendá-lo pra todo mundo enquanto espera a 2º temporada. Abraço e obrigada pela visita!

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  3. One Punch Man foi o meu melhor anime de 2015 e de muitos tempos também. Como eu ri assistindo os episódios, esse é o ponto que foi muito certo, além de toda a trama, a comedia é o principal. A fotografia é muito linda e animação é otima, o que ajuda mais ainda a gente gostar. Estou muito ansiosa para a 2º temporada. Eu vi também MOB Psycho 100 que também é do mesmo autor de One Punch Man, muitas risadas e historias loucas para dar mais risadas, recomendo assistir!

    Bjokas ;)

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    1. Também estou ansiosa pela 2 temporada! Fiquei em dúvida quanto a assistir (ou ler) MOB Psycho, pois nas poucas cenas que vi do anime, achei a arte um pouco esquisita, mas como vejo muita gente elogiando, posso dar uma chance no futuro.

      Beijoss!

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