Como Funciona o Processo Editorial na Publicação de um livro?

26 abril 2017
Escrever um livro não é fácil. Publicá-lo numa editora tradicional também não é. Mas se você já tem o seu romance pronto é bom entender mais ou menos como funciona a produção editorial, ou caso você ainda esteja sonhando em começar a escrever sua história já pensando na publicação, já pode começar a entender o mundo em que está entrando. Para isso, vou tentar simplificar o processo desde que você “deixa” seu livro na porta da editora até ele ir para as livrarias.
Vale lembrar que vou me concentrar no processo editorial de obras nacionais e de ficção.

  1. Seleção do original
Dependendo do tamanho da editora, ela pode receber muitos originais por dia e, na maioria das vezes, os originais já são descartados sem nem mesmo terem sido lidos além da primeira página. É o editor que vai verificar se o seu original está dentro da linha da editora, o que é motivo recorrente de originais serem descartados sem leitura. Se a editora tem uma linha de mercado nos livros de autoajuda, ela não vai ler ou aceitar sua obra prima de ficção científica. O editor também verá a rentabilidade que a obra possa oferecer e visualizar o público-alvo, parte que será fundamental na estruturação de um plano de Marketing que a obra terá ao final do processo.
Por que estou falando tanto dessas partes técnicas?
Não fique surpreso, mas dentro de uma editora, o livro é um objeto de mercado, ou seja, é a fonte do lucro. Por mais apaixonado que o editor seja pela literatura, ele ainda encabeça uma empresa e a empresa precisa de lucro. O original precisa ser rentável para, pelo menos, conseguir se pagar, e sabemos o quanto o mercado editorial brasileiro é difícil, tanto para autores quanto para os profissionais da área.
O original estando dentro da linha mercadológica da editora e com provável apelo comercial para o público a quem se dirige, o editor irá analisá-lo criticamente. Aqui, você precisa ser o mais racional possível e se abster daquela afeição maternal com seu livro querido, pois é comum que nesta etapa o editor peça alterações que você talvez possa não concordar. Reescritas de cenas ou capítulos, retirada de trechos e capítulos, ou até acréscimos. Também haverá aqui um primeiro cuidado com o texto.


2. Preparação do original
O editor entrega o original para o preparador. Antigamente, essa função chamava-se copidesque, hoje, o preparador faz o trabalho do copidesque mais a revisão gramatical. Mas se a preparação não faz somente a correção, então o que ela faz? Bem, ela deve deixar o texto fluido e coeso, corrigindo não só “palavras erradas”, como a regência, a coerência e a coesão. Há maior liberdade em mexer num texto traduzido, pois nesse caso, a língua precisa ser adaptada a uma nova cultura e realidade linguística; no nosso caso, o preparador vai se limitar na correção ortográfica e de acentuação, pois como a língua do original é nacional, espera-se certa liberdade de uso por parte do autor (o que não quer dizer que você pode escrever de qualquer jeito ou quaisquer cenas incoerentes, pois o editor pode cortar suas asinhas logo na primeira etapa).


3. Revisão do original
Aqui, o comum é que o original seja imprimido para ser revisado. Espera-se que o texto esteja limpo, quase “pronto” para a publicação, então os desvios gramaticais geralmente são menos do que na fase da preparação. A primeira revisão é a 1ª prova, a segunda, 2ª prova e assim por diante. As editoras costumam fazer até três provas de revisão (a 3ª muitas vezes é feita só para confirmar que os erros encontrados na 2º foram corrigidos), em certos casos, até quatro ou mais. Também pode acontecer a publicação de um livro com menos provas de revisão ou de revisão mal feita por ser feita às pressas, o que ocorre com frequência com livros estrangeiros muito aguardados (em certos casos, editoras grandes fazem parcerias com editoras estrangeiras para elas fazerem o lançamento mundial de um futuro best seller ao mesmo tempo, o que pode prejudicar a qualidade da preparação e revisão por conta da correria).



4. O original é diagramado (o momento da capa!)   
A história já está pronta e revisada, agora é o diagramador quem escolherá as fontes da letras e seu tamanho etc. A cara é então criada, pode ser uma ilustração ou fotografia, o que a editora pode bancar e o que pode ser apelo para a compra. Como a capa é a primeira coisa que o leitor vê na vitrine ou lojas virtuais, o Marketing também pode entrar nessa etapa e optar por um tipo de capa ou não. Você, autor ou futuro autor, pode dar sugestões (ninguém te impede), mas não espere que o desenho que você fez na última folha do seu caderno seja aceita pelo artista ou pelos chefes do Marketing.


5. A divulgação
 Para vender, o livro precisa ser divulgado. Uma estratégia de Marketing é montada em volta do seu livro, de acordo com o gênero e o público-alvo. Ao menos, isso é o que é nós esperamos das editoras tradicionais, mas nem sempre elas vão ser tão atenciosas com autores nacionais, ainda mais novatos. Muitas vezes, o próprio autor precisa fazer a própria divulgação e mesmo que a editora faça um trabalho de Marketing decente, você não pode ficar de braços cruzados. Nessa hora, as redes sociais são aliadas poderosas.
Hoje em dia, há muitas opções de divulgação; há booktrailers, blogueiros literários, booktubers e até podcasts literários, além de plataformas como Skoob e Goodreads onde milhões de leitores avaliam livros e os resenham, o que pode ser muito bom para o aumento de seus leitores caso haja resenhas positivas. É importante ser conhecido pela comunidade de leitores na internet, e mesmo que a editora não consiga colocar seu livro na primeira página do Skoob, você mesmo pode optar por essas ferramentas.
Sempre bom lembrar que o ideal é que você já tenha público antes mesmo da publicação tradicional. Isso pode ser feito publicando sua história na internet e vendo como o público reage. É muito difícil partir do zero, mas não impossível. Em todo o caso, você também pode marcar presença em eventos literários; nessa hora, vale levar exemplares do seu livro para vender, sem incomodar ninguém, claro. Você pode achar ruim ter que vender ou se deslocar, mas ao menos que uma feitiçaria pesada seja lançada, ninguém vai comprar um livro que não existe e divulgação só na internet não faz milagres. Talvez você não queira se dar ao trabalho de vender de porta em porta como fez Rowling, então marcar presença e divulgar no boca a boca é uma opção.
E, de novo, formar público antes da publicação propriamente dita, ainda é o melhor caminho!


Enfim, apesar de ler bastante sobre o assunto e tentar me manter informada, ainda não trabalho na linha ficcional, então muita coisa pode ter me escapado. Caso alguma informação seja errônea, sinta-se livre para corrigir!  


Até a próxima : )


Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
0 Comentários | BLOGGER
Comentários | FACEBOOK

0 comentários:

Postar um comentário

 
© Tribo Letras, VERSION: 01 - janeiro/2017. Todos os direitos reservados.
Criado por: Maidy Lacerda
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo