5 Contos pra você ler agora!

04 janeiro 2017

É curioso como grande parte dos leitores não se incomodam em terminar livros gigantescos, mas não tem o costume de ler contos. Short Stories, literalmente histórias curtas, são em teoria histórias para serem lidas sem pausas, potencializando o efeito pretendido pelo autor, como causar horror ou reflexão em poucas páginas. Há milhares de excelentes contos espalhados pela internet e em bibliotecas; aqui, indicarei cinco histórias curtas para serem lidas já!
Falarei brevemente sobre eles e vocês poderão ter um gostinho do conto, lendo o primeiro parágrafo de cada um deles, todos com os respectivos links para leitura. Vamos lá?  




A Loteria | Shirley Jackson



Uma pequena aldeia tem uma tradição: Todos os anos, há um sorteio no qual um cidadão ganhará a Loteria. Todos estão felizes e ansiosos pelo sorteio, e a história deixa-nos pouco a pouco perplexos no por que o vencedor não compartilha da felicidade do resto dos moradores. A autora realiza aqui uma crítica implícita das tradições e do apego popular sobre elas.

“A manhã de 27 de Junho estava clara e soalheira, com o fresco calor de um dia de pleno verão; as flores desabrochavam em profusão e a relva estava num tom de verde opulento. As pessoas da aldeia começaram a se juntar na praça entre o correio e o banco por volta das dez horas; em algumas cidades havia tantas pessoas que a loteria levava dois dias e era necessário começar no dia 26 de Junho, mas nesta aldeia, onde havia apenas cerca de trezentas pessoas, a loteria levava menos de duas horas, ela podia começar às dez da manhã e terminar a tempo de permitir que as pessoas estivessem de volta em suas casas na hora de almoço. “




O Gato Preto | Edgar Allan Poe


Um homem é apaixonado por animais, principalmente por seu gato. O animal é afetuoso e o homem retribui o amor. Porém, com o passar do tempo o homem passa a ter um crescente ódio pelo animal, o que acabará culminando em sua ruína. O horror e a sanidade duelam nesta narrativa que é uma das mais bem sucedidas histórias de terror já escritas.
  Além de ser o pai do romance policial, Poe criou contos que ainda hoje influencia o gênero do terror e horror nas mais diversas mídias. Sendo o primeiro teórico do Conto, Poe sabia como construir o grotesco e o gótico em histórias excessivamente mórbidas, com personagens sempre narrando em primeira pessoa o que lhes era tenebroso.


“Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã posso morrer e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram. No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror - mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotescos. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum - uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.”



Venha ver o Pôr do Sol | Lygia Fagundes Telles


Uma garota vai a um cemitério à convite do ex-namorado para conversar sobre o relacionado há muito terminado, sobre a vida e família, e para assistirem ao pôr do sol juntos ao fim daquele dia. O intenso conto desliza por caminhos mórbidos e sentimentais, até terminar na agoniante - e desesperadora - despedida.

“Ela subiu sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.”


O Ovo | Andy Weir
http://medob.blogspot.com.br/2012/07/o-ovo.html
“Você estava a caminho de casa quando morreu.”

Assim começa o chocante conto. Em segunda pessoa, o personagem principal — Você — acabou de morrer e a medida que a curta história avança, acaba por descobrir a impactante verdade por detrás da humanidade e do universo. É curioso como este conto está espalhado em sites de creepypastas (histórias de terror da internet) e muitas pessoas, após lerem o conto, dizem que antes mesmo de o lerem, já haviam parado pra pensar se aquilo poderia ser real, o que fez até mesmo que o Complexo de Jung pudesse ser levado em conta, Complexo esse que diz respeito a “informações primordiais” em nosso subconsciente partilhadas por todos os seres humanos. Certamente, um conto que deveria ser lido por todos.


Razão | Isaac Asimov
http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/clubedeleituras/upload/e_livros/clle000024.pdf
“Meio ano mais tarde, os rapazes haviam mudado de opinião. O calor chamejante de um Sol gigantesco cedera lugar à suave escuridão do espaço, mas as variações externas pouco significaram no trabalho de verificar o funcionamento de robôs experimentais. Qualquer que fosse o meio ambiente, encontravam-se sempre diante de um inescrutável cérebro positrônico, que os gênios manipuladores de réguas de cálculo afirmavam que deveriam funcionar assim ou assado.” Eu, Robô. pág. 59.
Powell e Donovan são astronautas e personagens recorrentes da coletânea de contos Eu, Robô de Asimov. Neste brilhante conto, eles estão no espaço, numa Estação Solar. Tudo segue a rotina do serviço, até eles montarem um robô. Nada incomum, se o robô não negasse ter sido criado pelos astronautas ou por qualquer humano. Acreditando em sua superioridade, ele se rebela e inicia, assim, um próprio sistema de crença, num Deus único e perfeito que criou toda a raça dos robôs. Uma metáfora interessantíssima sobre a Fé e o mistério da vida, sem deixar de lado o bom humor da carismática dupla de astronautas.  



Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
0 Comentários | BLOGGER
Comentários | FACEBOOK

0 comentários:

Postar um comentário

 
© Tribo Letras, VERSION: 01 - janeiro/2017. Todos os direitos reservados.
Criado por: Maidy Lacerda
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo