The Innocent | Mangá

18 junho 2016

Título: The Innocent
História: Avi Arad
Roteiro: Junichi Fujisaku
Arte: Yasung Ko



 Sinopse: Ash J. Right é condenado à pena de morte injustamente e é executado em cadeira elétrica. No Céu, é recepcionado por Angel, anjo à serviço da “Comitê Angelical”, que diz ser possível a volta à vida se Ash cumprir com a missão de “servir” os humanos.
  A missão seria “servir” outras pessoas inocentes que estão no corredor da morte injustamente, como o próprio Ash, e as salvá-las da execução! Ainda balançado pelos sentimentos de quando estava vivo, começa a missão de Ash em busca da ressurreição…!
 Como não leio muitos mangás, uma das coisas que me afastam deles nas bancas é a falta de volumes 1. Desse jeito, me vejo entre o volume 45 de Fairy Tail e o z sabe se lá quanto de One Piece. Por isso, quando vi The Innocent, com sua capa (contracapa) ensanguentada com os dizeres mágicos volume único, não pude deixar de levar. A falta de sinopse é compensada pelo belo – e quase grotesco – trabalho na contracapa, sombrio que poderia ser a capa de um game de horror, sobre o psicopata frio e bem vestido. E claro, não posso esquecer o fato do comentário-elogio de um cara chamado Stan Lee me fazer ficar ainda mais curiosa a respeito. Como não vemos todos os dias caras da Marvel elogiando mangás, é algo no mínimo instigante.
 Sabemos que a história trata de Vida e Morte, e logo de cara conhecemos Ash Writh, um cara que acabou de ser executado na cadeira elétrica por um crime que não cometeu. Ele aparece num local misterioso, entre o mundo dos vivos e o Além, e conhece a Angel, um anjo que o recebe lhe dizendo as boas novas sobre estar morto e sobre ter tantos pecados que ele nem pode ir ao Portal do Julgamento. Ash está preso entre a Terra e o Céu e para superar isso, ele precisará cumprir uma missão – ajudar alguém na Terra, com a supervisão de Angel.
 
Ash

 É aí que entramos nos caminhos policiais da trama. Ash deve provar a inocência de um cara acusado de assassinato, que espera na cadeia por sua sentença de morte. É a irmã dele que tem a prova, mas ela está sendo perseguida pela Máfia – a mesma responsável pela derrota de Ash e sua advogada no tribunal, condenando-lhe à morte. Assim, acompanhamos a trama se desenrolar entre a fantasia angelical-espiritual de Ash e Angel e o clima policial-mafioso afetado fantasticamente por eles. Há um clima pesado de thriller policial americano, certamente proposital, até para contrabalancear a mitologia fantástica que poderia se limitar aos “assuntos não terminados”.


 Porém, em alguns momentos, parece que a trama policial e a trama espiritual não se encaixam tão bem. Um exemplo disso é um personagem de terno branco e louro, o psicopata da história. Ele aparece e luta contra o protagonista, conseguindo vê-lo, ouvi-lo e tocá-lo sem problema nenhum. Como alguém consegue enxergar e tocar em anjos e espíritos, eu não faço ideia – e o leitor também não. Não temos explicações, e as lutas que os dois se envolvem parecem só uma desculpa para se ter ação. Em contrapartida, todas as cenas de luta são boas, os movimentos bem coreografados e as tonalidades de cinza embelezam os quadros.
 Há uma página no qual o psicopata é mostrado rodeado de pássaros mortos, animais que ele matou, e é uma das artes mais legais no mangá. No geral, a arte é fantástica, e por si só, a leitura vale à pena. Expressões faciais bem desenhadas, personagens bem caracterizados, e o aproveitamento de tons entre o branco e o preto. Isso sem falar da arte ensanguentada do psicopata na capa, é maravilhosa.
 Como é único, os personagens acabam sem tempo para serem mais aprofundados. Ash é o mais construído, e carismático, daqueles que gostamos de acompanhar. Angel também brilha, mas seu passado é só citado, nunca dito. A própria mitologia espiritual não tem tempo de ser desenvolvida, e temos de aceitar o típico “o protagonista é especial” como argumento. Nada que fere muito a trama, pois a dupla carrega bem a história, e o plot policial/criminoso é sem dúvida, bem escrito.
 Consegui imaginar como acabaria, mas não acho que seja previsível. Gostei, e a última página dá aquele sorriso de alívio por ter acabado do jeito que foi, com uma pontinha de esperança.  Certamente recomendado para os amantes de mangás e quadrinhos em geral.



Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
2 Comentários | BLOGGER
Comentários | FACEBOOK

2 comentários:

  1. Realmente, é muito estranho essa escassez de alguns mangás, principalmente se for uma serie.
    Eu particularmente estou com uma enorme dificuldade de encontrar do volume 10 de Monster de Naoki Urasawa ( que eu remendando para ler, se você gostar de Thriller psicológico), eu já tenho o volume 11, e quero seguir com a estoria, só que esta difícil haha
    Eu gostei muito de The Innocent, gosto muito dos volumes únicos, a arte desse mangá é muito linda e eu achei que não ficou aquela sensassão de que estava faltando alguma coisa.

    Bjokas :)

    http://sonhosdo-inverno.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se tem uma coisa que é complicada, é esperar por algum quadrinho ser publicado aqui, ainda mais se não for um super blockbuster. E obras vindas da cultura oriental é mais complicado. Achar o mangá Death Note é fácil, mas achar os livros no Brasil quase impossível. Em hqs em geral, por exemplo, se uma história fizer muito sucesso lá fora, demora uns dois ou mais anos pra chegar aqui. É tristeza háha. Acho que compensa completar coleções de mangás com edições direto dos EUA, o mercado é maior, então você pode acabar encontrando. Mas fica aquela maravilha de ler noutra língua e aquela coleção com edições divergentes. Fazer o quê? Só esperar mesmo.
      Gostei do seu blog, viu. Seguirei.
      Beijoos ;)

      Excluir

 
© Tribo Letras, VERSION: 01 - janeiro/2017. Todos os direitos reservados.
Criado por: Maidy Lacerda
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo