Desconstruindo um slide babaca

26 maio 2016


Eu deveria, deveria mesmo estar fazendo lição. Entrei no E-mail para baixar um arquivo e quando saí, me deparei com a notícia “30 homens estupraram uma menina. E divulgaram o vídeo na internet. Não vamos nos calar”. A chamada da notícia é chocante por si só. Como sou uma pessoa que estuda, trabalha, sou catequista nos fins de semana, e que usa os tempos livres basicamente para fazer trabalhos da escola, não soube dessa notícia horrível antes.

Fui lendo a matéria. Estava parecendo uma notícia normal, e até gostei do enfoque, achei justo. Então, no final da postagem me deparo com slides mostrando a “opinião de internautas” no twitter. Todas as postagens colocam a mulher em geral como culpada do estupro por usar roupas curtas. Teve tweet que afirmava que até pais de família leais podem ficar interessados. O cúmulo do absurdo foi um tweet que dizia que é “incompetência em compreender as fraquezas do sexo oposto”.

Em primeiro lugar, foi muito antiprofissional da parte de quem adicionou esses slides na notícia colocar apenas tweets que se posicionavam a favor da vítima como a culpada pelo estupro. Um dos princípios do jornalismo é a imparcialidade e também o de mostrar os dois lados. Já que resolveu colocar a opinião dos internautas, deveria ter posto as diversas opiniões e não apenas a que lhes convinha.

Em segundo lugar, argumentos como “Usa-roupa-curta-tá-pedindo” partem do senso comum. Para quem não sabe senso comum é um conhecimento popular, não tem fundamento científico, é passado de geração para geração e muitas vezes não condiz com a verdade. Quebrar espelho dá sete anos de azar; se alguém te pular, você não cresce; bater punheta faz crescer pelos nas mãos… isso tudo é senso comum. Agora, partindo do princípio de que temos algumas coisas do senso comum que realmente são verdade, devemos questionar criticamente e ver se é o caso.

Se usar roupa curta equivale a pedir para ser estuprada, países em que a única parte do corpo da mulher que pode ser visto é os olhos deveriam ter um número nulo ou quase nulo de estupros. É o que acontece? Ou, então, tribos indígenas onde o comum é não usar roupa nenhuma deveria ter números massacrantes de estupro. É o caso? Não, não é. Com isso já sabemos que o argumento da roupa curta é um senso comum equivalente à “gato preto dá azar”.


Agora, vamos ao tópico fraquezas. A dificuldade dos homens de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo é uma fraqueza. Isso é explicado pelo fato de desde os primórdios da história o homem ter que fazer apenas uma atividade (caçar, por exemplo), dessa forma a parte do cérebro ligada a essa ação era mais exercitada e é até hoje mais desenvolvida. Pessoas de cor clara serem mais suscetíveis a terem câncer de pele é uma fraqueza. A falta de melanina faz com que seja mais fácil a evolução de um carcicoma. Pessoas com osteoporose terem mais chance de fratura em caso de queda é uma fraqueza. Um ser humano racional, pleno de suas capacidades mentais, não conseguir não estuprar uma mulher porque ela está de roupa curta não é uma fraqueza. O nome disso é outro. É falta de caráter, de respeito pelo próximo, de empatia. Isso é falta de valor pela vida.



Lady Thaw
É uma sonhadora, amante de livros e literata. Adora cantar, dançar, ler e conversar. Um dia terá um gato preto chamado Plutão.
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