Cavaleiro da Lua

07 maio 2016
   Título (original): Moon Knight
   Roteiro: Warren Ellis, Cullen Bunn
   Arte: Declan Shalvey, Greg Smallwood, Ron Ackins, German Peralta
   Volumes: 16 
   
 Para quem não lê muitos quadrinhos o que não está muito longe da minha realidade, saibam que o pior inimigo de qualquer herói (vilão, anti-herói, whatever) é a mudança de equipe criativa. Você se acostuma com o jeito que a história é contada, se acostuma com os traços e tudo segue seu perfeito caminho. E, de repente, muda. Ás vezes para melhor, outras para pior. Mas além de mudar para pior, o fato de a qualidade virar uma montanha russa de mudanças – está bom, está ruim, voltou a ficar bom, ih, ruim de novo – irrita tanto quanto um sólido ruim. E mais ainda, quando se trata de um ótimo herói vigilante numa história que começou muito bem. E que adorei.
 É comum as pessoas que não tem o que fazer o chamarem de Batman branco, apesar de esses dois terem mais diferenças que semelhanças, que ficam visíveis logo no primeiro volume. Seu nome é Marc Spector e, após morrer no Egito, ele é ressuscitado por pela deidade Khounshu, aquela que defende os viajantes noturnos. Assim, ele se torna o vigilante Cavaleiro da Lua, e combate o crime e ajuda a resolvê-los durante a noite. Como o “protegido” da entidade egípcia, ele tem poderes de acordo com a fase lunar. Nessa história em específico, só notamos uma possível força - sobre humana e invulnerabilidade. E claro, a característica principal – e mais famosa –
do vigilante, é, certamente, aquela que o diferencia da maioria dos heróis: Ele é louco. Literalmente.




Após sustentar sua identidade secreta como Cavaleiro da Lua, e fingir outras para manter a fachada e encontrar informações do submundo do crime, Spector acaba desenvolvendo esquizofrenia. Ou, mais especificamente, Transtorno Dissociativo de Identidade (DID, na sigla em inglês). Agora, ele tem a mente dividida em quatro personalidades: Marc Spector (a personalidade real do homem), Cavaleiro da Lua (O vigilante e “avatar” da deidade, que nesse quadrinho, também parece se dividir em “sub-personalidades” de acordo com a situação), Steven Grant (o bilionário) e Jake Lockley (o taxista), esses últimos assumindo o lugar do Cavaleiro quando é necessário. Alucinações também não são algo incomum para ele. Spector também pode assumir outras identidades além dessas, como na mini-série (4 volumes) Recomeço, no qual o vigilante, precisando trabalhar com os Vingadores, acaba assumindo a personalidade do Homem-Aranha, Capitão América e Wolverine. E para constar, é essa mini-serie que precede a história que falarei hoje.
 Introdução e personas a parte, vamos começar.
 Até o volume 9, o quadrinho é escrito por Warren Ellis e desenhado por Declan Shalvey e Greg Smallwood. Cada volume é sobre um caso diferente, quase procedural, porém, além dos crimes mundanos, também há os mistérios sobrenaturais. Mais que alguém espancando criminosos, ele é um investigador brilhante e é esse aspecto que é trabalhado muito bem aqui. É legal que ao investigar cenas de crime, o Cavaleiro da Lua assume a identidade de Mr. Knight, que usa somente um terno e máscara brancos – e arrogância refinada. Visual extremamente belo e bem legal de ser ver nas páginas.


O Cavaleiro – ou seja lá quem for – enfrenta fantasmas, assassinos, sequestradores e monstros. Todos os mistérios são interessantes, e as lutas muito boas. No quinto volume, Mr. Knight sobe os andares de um prédio abandonado para resgatar alguém, e todos eles estão lotados de criminosos. Um a um, eles caem. Quando via, ficava imaginado que se todas aquelas lutas fossem filmadas do jeito que os desenhos mostram, teríamos algo no patamar de Daredevil - Demolidor. Os movimentos que ele faz, o estilo, tudo parece ter sido coreografado, e eu nunca havia apreciado de verdade uma luta em HQ até então.
 O clima investigativo noir é presente na maioria dos volumes, o que nos faz ver mais o Mr. Knight do que as outras personalidades. Não há casos muito complexos, mas eles fecham bem, considerando que se desenvolvem por vinte e poucas páginas. Cada volume é uma história separada, o que dinamiza a leitura. Um dos melhores volumes, em minha opinião, mostra o Mr. Knight investigando por que pacientes de um experimento sobre o sono passaram a ter os mesmos sonhos. Simples o suficiente e com desenhos alucinógenos.


Então, temos a troca do desenhista, exatamente no volume 9. A história não me empolgou como os outros volumes, mas gostei do estilo do desenho. E nos volumes em diante, o desenhista é trocado novamente, junto ao roteirista. Com uma nova equipe criativa, a ideia de um caso/mistério é deixada de lado, e começamos a acompanhar um pequeno arco. Este é sobre o passado da psiquiatra dele, e sua busca por vingança. Estende-se por alguns volumes, e começa e termina bem, mas o que fica ali no meio parece... Sem sentido nenhum. Há partes muito legais como Spector ser trancado num “sanatório”, e mesmo assim, fica fraco até a revelação (e resolução) no final, que pra mim, funcionou.
 É claro, apesar das escolhas do roteiro, gostei muito desse arco, principalmente pelo jeito de fazer a Arte. Durante uma espécie de “hipnose”, por exemplo, vemos o Spector desenhado ocupando vários quadros, e em cada um deles, uma parte da roupa diferente, mostrando as pessoas que o formam. E como ele está em sua própria mente, faz sentido ele não ter uma forma fixa lá. Certamente, um dos melhores volumes do arco, junto ao volume em que ele se vê preso num sanatório. Como não li outras HQs dele, não tenho certeza, mas tive a impressão de que ele já estivera em sanatórios ou instituições antes. (Pelo sim e pelo não, Spector acorda numa Instituição Mental misteriosa na publicação desse ano, e só pelo primeiro volume – e Arte Excelente -, recomendo muitíssimo).


Depois, tiveram a ideia de voltarem aos casos/mistérios por capítulo. A história e arte ficaram medianas, mas ao chegarmos aos últimos volumes, percebemos o quanto a publicação caiu. O último é muito ruim, e nem parecia fazer parte da publicação que tinha tanta qualidade. Mas não significa esquecer-se do quão bom é o começo, mas tentar não se decepcionar tanto, pois sabemos que a culpa pertence a tantas mudanças dentro da equipe.
 Enfim, simplesmente adorei Spector e suas histórias, o estilo de Mr. Knight e os mistérios. A posição dos quadros também é muito boa, dão uma ideia cinematográfica que ajuda na qualidade da Arte e no dinamismo da leitura. Para quem conhece por cima o personagem – o que basicamente, tentei fazer aqui – essa história pode ser um bom começo para aqueles que querem ler mais sobre o Cavaleiro.
 E é claro, não posso deixar de lado que a adorada Netflix comprou os direitos do personagem junto com os do Punisher e outros heróis, e ao que tudo indica, ele terá sua própria série na Netflix, depois da série dos Defensores e, provavelmente, também depois da série do Punisher-Justiceiro. Interessante que em grande parte do quadrinho, pensei — junto com outros leitores – que a história tinha o estilo desse tipo de seriado, e vários volumes dariam bons episódios. Esperemos que aconteça!




 A publicação do Cavaleiro da Lua de 2016 está em andamento e, como eu disse, vale muito a pena! Seria uma continuação dessa história, mas com uma Arte de uma verdadeira Graphic Novel (novela gráfica). Intrigante e provavelmente ainda falarei sobre.

    
  
  
Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
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