O Conto da Aia | Resenha

06 outubro 2017

          Título: O Conto da Aia
Autor: Margaret Atwood
Páginas: 366
Editora: Rocco

           "Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano." Sinopse retirada do Skoob: https://goo.gl/NiS1kE 

O primeiro contato que tive com esse livro foi na Saraiva. Eu tenho o hábito de ir na Saraiva – ou em qualquer livraria – e ficar olhando os resumos dos livros nas contracapas. Quando acho algo interessante, tiro foto da capa, anoto, ou digo para mim mesma que vou me lembrar do título. Em qualquer que seja o lugar em que eu “guarde” essa informação, ela geralmente cai no esquecimento. Foi o que aconteceu com O Conto da Aia. Então eu ganhei o livro de presente – te amo, Alana. Ah, e daqui para frente pode rolar spoiler, beleza?

Logo que li o resumo soube que já tinha lido ele em algum lugar e gostado. Como estou fazendo o TCC, decidi que não leria o livro. Temos que ter prioridades, não é mesmo? Pois bem, estava decidido. Então estava no ônibus voltando para casa e nesses aproximados 40 minutos de viagem acabei começando a ler o livro. E é claro que não consegui parar e li tudo. O Conto da Aia é uma distopia. Quer acertar no meu presente? Me dê um livro de distopia.

Quando eu comecei a ler, não conseguia situar muito bem os acontecimentos em relação ao tempo. Era um passado ou um futuro do hoje? É um futuro, na verdade. Então você vê que o antes também não era igual ao que temos no nosso mundo. Antes da protagonista ser uma Aia, ela era uma mulher quase comum, mas já haviam traços de mudanças: a retirada da constituição e dos direitos das mulheres a patrimônios foi só o desfecho de um caminho que já estava sendo construído há muito tempo. O problema começou depois de um acidente com armas biológicas que deixou várias pessoas inférteis, o que derrubou drasticamente as taxas de natalidade no local. Entretanto, só se era admitido que mulheres estavam inférteis. E aquelas mulheres que eram consideradas férteis eram basicamente obrigadas a se tornarem Aias. Na verdade, elas poderiam “escolher” entre sexo forçado ou trabalhar em local de alta radiação no qual você morre em poucos dias.
            
            A obra é narrada em primeira pessoa pela Offred. Para início de conversa, sabemos que este não é realmente o nome dela, e no decorrer da leitura veremos que todas as Aias são “Of” um homem (do inglês, “de”). A sociedade na qual Offred está inserida é fundamentalista e extremista. E assim como nos dias atuais, quem leva a pior são as mulheres. Uma das passagens bíblicas mais citadas é uma passagem de Gênesis, 30: 1-3


“Vendo, pois, Raquel que não dava filhos a Jacob,
teve Raquel inveja da sua irmã, e disse a Jacob:
Dá-me filhos, ou senão eu morro. 


Então se acendeu a ira de Jacob contra Raquel e disse:
Estou eu no lugar de Deus, que te impediu
O fruto de teu ventre?
E ela lhe disse: Eis aqui a minha serva, Bilha;
Entra nela para que tenha filhos sobre os meus joelhos,
E eu, assim, receba filhos por ela.”


Offred tinha uma filha e marido, dos quais foi separada. Ela vive um conflito pela vida que leva, a que levava e a incerteza do amanhã. Os sentimentos ambíguos, a falta de segurança e uma realidade da qual não se pode fugir são a mistura mais presentes nos pensamentos de Offred. Em vários momentos esses pensamentos pendem para o suicídio, inclusive, há algumas Aias citadas que se suicidaram.

“Não é da fuga que eles têm medo. Não iríamos tão longe. São daquelas outras fugas, aquelas que você pode abrir em si mesma, se tiver um instrumento cortante." (p. 16)

A história toda se ambienta no dia a dia de Offred, com flashbacks de seu passado, e essas alternâncias vão ajudando o leitor a compreender o que está acontecendo. Existem outras personagens, como a Ofglen, o motorista Nick, ou Serena, a Esposa. Mas a mais expressiva acaba sendo a Offred, pois é através de seus olhos que vemos tudo acontecer.

O final da história foi algo que amei e odiei (?). Bom, eu gosto bastante de finais conclusivos, do tipo que você sabe o que aconteceu. Porém, também gosto dos finais que ficam em aberto, e você tem que imaginar o que acontece depois. O Conto da Aia tem o segundo tipo de final. O chato é que não importa o que você pense, nunca será nada daquilo, porque aquela parte da história não foi escrita, ou seja, não existe.

Enfim, como distopia achei um livro muito bom, vale a leitura e por incrível que pareça, traz a imagem da mulher de forma semelhante ao que é hoje, o que assusta muito. Não é à toa que a série The Handmaid’s Tale esteja fazendo tanto sucesso.

“Melhor nunca significa melhor para todo mundo, diz ele. Sempre significa pior, para alguns.” (p. 251)


Você também leu o livro? O que achou? Conte para mim nos comentários ;)



Lady Thaw
É uma sonhadora, amante de livros e literata. Adora cantar, dançar, ler e conversar. Um dia terá um gato preto chamado Plutão.





Links do Mês! | Set. 17

04 outubro 2017

Nem tudo foi flores neste último mês, de fato, tivemos muitas polêmicas e revoltas. Entretanto, em meio a tudo isso, tivemos uma ideia: resolvemos fazer um apanhado de links todo mês, inspirado em outros blogs. Artigos e textos interessantes que lemos, vídeos bons ou qualquer material encontrado na internet que vimos e seria legal compartilhar, interessantes e/ou relevantes diante de fatos importantes que aconteceram último mês. Então, vamos lá!

A Exposição no MAM: Arte, Nudez e Educação. A polêmica exposição e o problema da soberania dos pais.

Top 20: Animes com as melhores animações, segundo japoneses. Em pesquisa feita pelo Charapedia, fãs japoneses elegem os animes com as melhores animações. Méritos para os seus estúdios de animações.

Papéis de Gênero e o Sexismo no Mangá Shoujo moderno. O Sexismo dos mangás “feitos para meninas” no Japão.

Medieval, absurda e inconstitucional: Sobre a decisão que permitiu a “Cura Gay”.

O agressor dorme no homem comum. “Nosso repórter foi ao único grupo reflexivo para homens enquadrados pela Lei Maria da Penha existente na capital paulista; ele esperava ver monstros, mas viu homens constrangedoramente comuns. ”


Sobre body shaming. "Body shaming pode ser tanto humilhar ou ofender alguém por sua aparência ou determinado atributo do corpo quando pela maneira como a pessoa exibe esse atributo. O body shaming geralmente tem como base outros tipos de preconceito, como a gordofobia, o racismo e o slutshaming, além de, em muitos casos, fomentar a rivalidade feminina."

GORDA. "GORDA aborda a relação de três mulheres gordas com seus corpos, cujos depoimentos irão revelar vivências únicas."

Gays e crianças como moeda eleitoral. "Uma população que há anos tem sido treinada por programas policialescos/sensacionalistas na TV que atribuem todas as dificuldades a facínoras à solta, adestrando-a a ver as mazelas da vida cotidiana como culpa de alguém que pode e deve ser eliminado – e não a uma estrutura mais complexa que a mantém cimentada no lugar dos explorados."
16 formas simples de ajudar o ansioso em sua vida. "Enquanto algumas pessoas só precisam de um abraço, outras preferem que você dê espaço para elas respirarem. Você sabe: cada pessoa é de um jeito, por isso não existe uma fórmula mágica, é preciso perguntar – se for antes da crise, melhor ainda."
O melhor exercício que eu fiz para definir o meu corpo. "Eu sei, normalmente quando você tem um corpo com medidas medianas e usa uma roupa que não favorece sua cintura ou o tamanho do seu quadril, as pessoas dizem que você usou isso errado. Não acredite nelas. Usar errado é vestir algo que não te deixa feliz e confortável. "


Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.





Quando o medo tenta te engolir

01 outubro 2017
https://goo.gl/JWpnCG
Quando o medo tenta te engolir você sabe. Acontece alguma coisa, aquela gota d'água que faz até o recipiente mais espaçoso do mundo transbordar. O pânico escapa pelos poros, escorre na pele, penetra, ataca o espírito. Você sente como se tivesse bebido uns três litros de água e que, ao invés de parar, está tentando por mais líquido para dentro.

Alguma coisa explode.

Você puxa o ar, porque ele tem que estar em algum lugar, e ofega, porque parece que ele não está, afinal de contas. As batidas do seu coração pulsam em seu ouvido, destoando do zumbido insistente que você sabe que só existe na sua cabeça.

Lady Thaw
É uma sonhadora, amante de livros e literata. Adora cantar, dançar, ler e conversar. Um dia terá um gato preto chamado Plutão.





O que é Fanfic?

21 setembro 2017
Você deveria estar escrevendo!
https://goo.gl/bX7qM8
Se nos finalzinho dos anos 2000 as fanfics viraram mania mundial, hoje em dia, elas já são relativamente conhecidas no público em geral, ou ao menos, dos geeks, nerds, ou qualquer um que tenha internet e já teve contato com fãs de alguma coisa. A publicação do romance 50 tons de cinza, pelo bem e pelo mal, popularizou o termo ainda mais, sendo ele uma fanfic de Crepúsculo. Apesar das fanfictions estarem por aí e todo mundo saber o que é, muita gente que não lê ou escreve simplesmente não entende o mundo fanfiction, acham que qualquer texto erótico ou até textão do facebook são fanfics.
Estou aqui para esclarecer de uma vez por todas, o que é fanfic. Agora, com a mente aberta e sem preconceitos, vamos lá!


Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.





Para a Justiça, homossexualidade é doença

18 setembro 2017

“A Justiça Federal do Distrito Federal permitiu, em caráter liminar, que psicólogos possam tratar gays e lésbicas como doentes e possam fazer terapias de “reversão sexual” sem sofrer nenhum tipo de censura por parte do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Esse tipo de tratamento é proibido por meio de uma resolução editada pelo CFP em 1999, já que desde 1990 a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde. O CFP vai recorrer às instâncias superiores.” Via: https://goo.gl/h9GnfB

Você não leu errado: A Justiça Federal agora permite tratar a homossexualidade como doença. A homossexualidade, bissexualidade, pansexualidade, são orientações humanas naturais, comportamentos também partilhados pela maioria das espécies. E se para a ciência já não há mais discussões quanto à naturalidade desses comportamentos, o tal moralismo crescente dos últimos anos, ignora a Ciência e prega em nome de uma moral fundamentada em opiniões e pensamentos de origem religiosa, mesmo que estejamos, supostamente, em um estado laico.
E mesmo assim, a Justiça Federal sabe que já não pode mais utilizar o caráter moral para pregar leis antiéticas, então, é comum eles rodearem suas verdadeiras motivações. A homossexualidade é provavelmente congênita ou genética, ou seja, não há como “curar” ou reorientar a sexualidade de alguém. Não que isso importe, pois ultimamente nenhuma instância do governo realmente leva o que ciência diz em conta. Agora psicólogos e psiquiatras poderão promover aos seus pacientes a “reorientação” sexual e estudos a respeito disso. Qualquer um pode fazer os estudos que quiser, há até mesmo estudos sobre Terra Plana hoje em dia, mas promover o mito da reorientação é simplesmente cruel, não somente por ser impossível, mas por destruir vidas inteiras.
Há pessoas que genuinamente querer se reorientar, pois acham que seus comportamentos românticos e/ou sexuais são errado, que elas vão para o inferno, pessoas sem entendimento ou que simplesmente não conseguem resistir à opressão. E mesmo quando vão a clínicas em países que os permitem, de duas, uma: pessoas bissexuais se forçam a somente práticas “heterossexuais”; ou, homossexuais desistem de ter qualquer tipo de relação romântica e/ou sexual com alguém (em alguns casos, até formam casamentos de fachada, porém a atração não muda). Essas “curas” e “reorientações” em países em que são permitidos, já renderam torturas, abusos, estupros e em pacientes “curados”, depressão e em alguns casos, suicídio.  
Homossexuais podem formar relações de fachada, casar-se com o sexo oposto, mas a atração não muda. É impossível. E não há motivos para tentar fazer isso a não ser por razões mesquinhas retiradas de livros religiosos que a justiça federal nem deveria levar em conta. Mas, quem queremos enganar? A ciência não importa, nem o amor humano.


Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
 
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