Vida

26 outubro 2017

Por favor, me escute.
Sei de nossos problemas, sei que somos uma pequena grande tragédia de nossas vidas, mas me escute, eu te imploro. Estou escrevendo porque não sei mais como chegar até você. Pode não se importar mais comigo ou com a minha existência, mas precisa tentar. Uma última vez, uma última tentativa, por favor, confie em nós, deixe-me tentar resgatar isso que nós temos, o que nós tivemos um dia. Sei que não se importa, sei que estou pedindo demais, por isso peço desculpas de antemão. Eu não queria você sofresse, apesar de tantos de meus pensamentos dizerem o contrário.
Quase cheguei a desistir de você tantas vezes, tantas que mal consigo lembrar de quando realmente acreditei em você. É tão comum pensar de você desta maneira baixa, desconfiada e mais do que tudo, de descrédito. Eu não acreditei em você verdadeiramente, pois para mim você é aquele tipo de farsa, escondida numa máscara romântica de segurança e propriedade, mas eu sempre vi além disso. Via seu fracasso, seu desencontro com o resto do mundo, suas lágrimas normalmente não derramadas. Você era e é uma farsa. Nenhuma vestimenta ou sorriso mais caloroso conseguia me esconder da verdade. O fracasso, despercebido, forçosamente intacto. Odiei você de tantas maneiras e nem ao menos você tenta fazer algo a respeito.
Você acha que merece meu ódio. Te desprezo e de volta recebo teu desprezo. Uma relação recíproca, uma entrega profunda e honesta. Mas eu quero te amar. Talvez nunca tenha te amado de fato, mas se nossos dias de glória tiverem realmente existido, quero-os de volta. Quero te amar novamente, quero acreditar em nós, não quero sua traição, muito menos seu abandono. Sinto sua falta, sei que meus pensamentos divergem a seu respeito, que meu ódio aumenta e diminui, de minhas incongruências a seu respeito. Perdoe-me, por favor. Quero que isso termine, porque dói demais. Amo você, mas parece que nada vai mudar. Estou tentando, então por favor, me escute. Não me deixe, não quero te deixar. Não vejo nenhuma luz, ou escapatória, só vejo você, só sinto você, mais nada, entre nós só o desamparo.
Quero te abandonar por completo, mas também quero te salvar. Te imploro verdadeiramente. Além daqui, não há nada para nós senão a solidão. Se eu te tenho, é porque você é o que me resta. Se me tem, é porque eu sou o que resta pra ti. Vamos dar-nos uma última chance, pois se somos realmente a coisa mais amada de nós mesmos, se merecemos mais tentativas, então nos resta tentarmos.
Sinto muito por não te abandonar por completo, pois sei que é isso que você gostaria. Mas não posso, não agora. Não é esperança, mas quem pode saber de nosso futuro? Se não enxergamos nada dele, talvez estamos comentando um erro em que querer continuar com isso. Se não há nada adiante, pelo menos temos nós. Talvez você me odeie ainda mais por não ter te abandonado completamente quando tive a chance. Só peço que tente mais um pouco.
Mas, por favor, não me odeie por ter tentado.



De mim para mim.


Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.





O Conto da Aia | Resenha

06 outubro 2017

          Título: O Conto da Aia
Autor: Margaret Atwood
Páginas: 366
Editora: Rocco

           "Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano." Sinopse retirada do Skoob: https://goo.gl/NiS1kE 

O primeiro contato que tive com esse livro foi na Saraiva. Eu tenho o hábito de ir na Saraiva – ou em qualquer livraria – e ficar olhando os resumos dos livros nas contracapas. Quando acho algo interessante, tiro foto da capa, anoto, ou digo para mim mesma que vou me lembrar do título. Em qualquer que seja o lugar em que eu “guarde” essa informação, ela geralmente cai no esquecimento. Foi o que aconteceu com O Conto da Aia. Então eu ganhei o livro de presente – te amo, Alana. Ah, e daqui para frente pode rolar spoiler, beleza?

Logo que li o resumo soube que já tinha lido ele em algum lugar e gostado. Como estou fazendo o TCC, decidi que não leria o livro. Temos que ter prioridades, não é mesmo? Pois bem, estava decidido. Então estava no ônibus voltando para casa e nesses aproximados 40 minutos de viagem acabei começando a ler o livro. E é claro que não consegui parar e li tudo. O Conto da Aia é uma distopia. Quer acertar no meu presente? Me dê um livro de distopia.

Quando eu comecei a ler, não conseguia situar muito bem os acontecimentos em relação ao tempo. Era um passado ou um futuro do hoje? É um futuro, na verdade. Então você vê que o antes também não era igual ao que temos no nosso mundo. Antes da protagonista ser uma Aia, ela era uma mulher quase comum, mas já haviam traços de mudanças: a retirada da constituição e dos direitos das mulheres a patrimônios foi só o desfecho de um caminho que já estava sendo construído há muito tempo. O problema começou depois de um acidente com armas biológicas que deixou várias pessoas inférteis, o que derrubou drasticamente as taxas de natalidade no local. Entretanto, só se era admitido que mulheres estavam inférteis. E aquelas mulheres que eram consideradas férteis eram basicamente obrigadas a se tornarem Aias. Na verdade, elas poderiam “escolher” entre sexo forçado ou trabalhar em local de alta radiação no qual você morre em poucos dias.
            
            A obra é narrada em primeira pessoa pela Offred. Para início de conversa, sabemos que este não é realmente o nome dela, e no decorrer da leitura veremos que todas as Aias são “Of” um homem (do inglês, “de”). A sociedade na qual Offred está inserida é fundamentalista e extremista. E assim como nos dias atuais, quem leva a pior são as mulheres. Uma das passagens bíblicas mais citadas é uma passagem de Gênesis, 30: 1-3


“Vendo, pois, Raquel que não dava filhos a Jacob,
teve Raquel inveja da sua irmã, e disse a Jacob:
Dá-me filhos, ou senão eu morro. 


Então se acendeu a ira de Jacob contra Raquel e disse:
Estou eu no lugar de Deus, que te impediu
O fruto de teu ventre?
E ela lhe disse: Eis aqui a minha serva, Bilha;
Entra nela para que tenha filhos sobre os meus joelhos,
E eu, assim, receba filhos por ela.”


Offred tinha uma filha e marido, dos quais foi separada. Ela vive um conflito pela vida que leva, a que levava e a incerteza do amanhã. Os sentimentos ambíguos, a falta de segurança e uma realidade da qual não se pode fugir são a mistura mais presentes nos pensamentos de Offred. Em vários momentos esses pensamentos pendem para o suicídio, inclusive, há algumas Aias citadas que se suicidaram.

“Não é da fuga que eles têm medo. Não iríamos tão longe. São daquelas outras fugas, aquelas que você pode abrir em si mesma, se tiver um instrumento cortante." (p. 16)

A história toda se ambienta no dia a dia de Offred, com flashbacks de seu passado, e essas alternâncias vão ajudando o leitor a compreender o que está acontecendo. Existem outras personagens, como a Ofglen, o motorista Nick, ou Serena, a Esposa. Mas a mais expressiva acaba sendo a Offred, pois é através de seus olhos que vemos tudo acontecer.

O final da história foi algo que amei e odiei (?). Bom, eu gosto bastante de finais conclusivos, do tipo que você sabe o que aconteceu. Porém, também gosto dos finais que ficam em aberto, e você tem que imaginar o que acontece depois. O Conto da Aia tem o segundo tipo de final. O chato é que não importa o que você pense, nunca será nada daquilo, porque aquela parte da história não foi escrita, ou seja, não existe.

Enfim, como distopia achei um livro muito bom, vale a leitura e por incrível que pareça, traz a imagem da mulher de forma semelhante ao que é hoje, o que assusta muito. Não é à toa que a série The Handmaid’s Tale esteja fazendo tanto sucesso.

“Melhor nunca significa melhor para todo mundo, diz ele. Sempre significa pior, para alguns.” (p. 251)


Você também leu o livro? O que achou? Conte para mim nos comentários ;)



Lady Thaw
É uma sonhadora, amante de livros e literata. Adora cantar, dançar, ler e conversar. Um dia terá um gato preto chamado Plutão.





Links do Mês! | Set. 17

04 outubro 2017

Nem tudo foi flores neste último mês, de fato, tivemos muitas polêmicas e revoltas. Entretanto, em meio a tudo isso, tivemos uma ideia: resolvemos fazer um apanhado de links todo mês, inspirado em outros blogs. Artigos e textos interessantes que lemos, vídeos bons ou qualquer material encontrado na internet que vimos e seria legal compartilhar, interessantes e/ou relevantes diante de fatos importantes que aconteceram último mês. Então, vamos lá!

A Exposição no MAM: Arte, Nudez e Educação. A polêmica exposição e o problema da soberania dos pais.

Top 20: Animes com as melhores animações, segundo japoneses. Em pesquisa feita pelo Charapedia, fãs japoneses elegem os animes com as melhores animações. Méritos para os seus estúdios de animações.

Papéis de Gênero e o Sexismo no Mangá Shoujo moderno. O Sexismo dos mangás “feitos para meninas” no Japão.

Medieval, absurda e inconstitucional: Sobre a decisão que permitiu a “Cura Gay”.

O agressor dorme no homem comum. “Nosso repórter foi ao único grupo reflexivo para homens enquadrados pela Lei Maria da Penha existente na capital paulista; ele esperava ver monstros, mas viu homens constrangedoramente comuns. ”


Sobre body shaming. "Body shaming pode ser tanto humilhar ou ofender alguém por sua aparência ou determinado atributo do corpo quando pela maneira como a pessoa exibe esse atributo. O body shaming geralmente tem como base outros tipos de preconceito, como a gordofobia, o racismo e o slutshaming, além de, em muitos casos, fomentar a rivalidade feminina."

GORDA. "GORDA aborda a relação de três mulheres gordas com seus corpos, cujos depoimentos irão revelar vivências únicas."

Gays e crianças como moeda eleitoral. "Uma população que há anos tem sido treinada por programas policialescos/sensacionalistas na TV que atribuem todas as dificuldades a facínoras à solta, adestrando-a a ver as mazelas da vida cotidiana como culpa de alguém que pode e deve ser eliminado – e não a uma estrutura mais complexa que a mantém cimentada no lugar dos explorados."
16 formas simples de ajudar o ansioso em sua vida. "Enquanto algumas pessoas só precisam de um abraço, outras preferem que você dê espaço para elas respirarem. Você sabe: cada pessoa é de um jeito, por isso não existe uma fórmula mágica, é preciso perguntar – se for antes da crise, melhor ainda."
O melhor exercício que eu fiz para definir o meu corpo. "Eu sei, normalmente quando você tem um corpo com medidas medianas e usa uma roupa que não favorece sua cintura ou o tamanho do seu quadril, as pessoas dizem que você usou isso errado. Não acredite nelas. Usar errado é vestir algo que não te deixa feliz e confortável. "


Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.





Quando o medo tenta te engolir

01 outubro 2017
https://goo.gl/JWpnCG
Quando o medo tenta te engolir você sabe. Acontece alguma coisa, aquela gota d'água que faz até o recipiente mais espaçoso do mundo transbordar. O pânico escapa pelos poros, escorre na pele, penetra, ataca o espírito. Você sente como se tivesse bebido uns três litros de água e que, ao invés de parar, está tentando por mais líquido para dentro.

Alguma coisa explode.

Você puxa o ar, porque ele tem que estar em algum lugar, e ofega, porque parece que ele não está, afinal de contas. As batidas do seu coração pulsam em seu ouvido, destoando do zumbido insistente que você sabe que só existe na sua cabeça.

Lady Thaw
É uma sonhadora, amante de livros e literata. Adora cantar, dançar, ler e conversar. Um dia terá um gato preto chamado Plutão.





O que é Fanfic?

21 setembro 2017
Você deveria estar escrevendo!
https://goo.gl/bX7qM8
Se nos finalzinho dos anos 2000 as fanfics viraram mania mundial, hoje em dia, elas já são relativamente conhecidas no público em geral, ou ao menos, dos geeks, nerds, ou qualquer um que tenha internet e já teve contato com fãs de alguma coisa. A publicação do romance 50 tons de cinza, pelo bem e pelo mal, popularizou o termo ainda mais, sendo ele uma fanfic de Crepúsculo. Apesar das fanfictions estarem por aí e todo mundo saber o que é, muita gente que não lê ou escreve simplesmente não entende o mundo fanfiction, acham que qualquer texto erótico ou até textão do facebook são fanfics.
Estou aqui para esclarecer de uma vez por todas, o que é fanfic. Agora, com a mente aberta e sem preconceitos, vamos lá!


Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
 
© Tribo Letras, VERSION: 01 - janeiro/2017. Todos os direitos reservados.
Criado por: Maidy Lacerda
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo